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A vida que chamo de NADA

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Dar a mão a alguém sempre foi o que eu esperei da alegria. E não falo somente do "dar" em valores, objetos . Um simples e caloroso gesto de doar-se em palavras, já alivia a alma e acalenta o desejo de continuar nesse mundo revolto, mutante, fragmentado. O que eu vivi arrebenta minha vida diária . Desculpa eu te dar isto, eu bem queria ter visto e ouvido coisa melhor. E você tomou o que vi, livrou-me da minha inútil visão e pecado inútil . Sentei-me ao lado de bandidos - eram todos do Estado de SC - meninos jovens, cabeça raspadas, algemas para trás, a mais de três horas sentados com a bunda quadrada (penso eu), aguardando para ser ouvidos pela promotora de acusação e juíza da Vara Criminal. E cometi o crime! Meu crime não possui promotores, juiz nem algemas - apenas palavras de uma verdade que não faz sentido. Essa grandeza do mundo me encolhe. Aquilo que provavelmente pedi e finalmente tive, veio no entanto me deixar carente, como uma criança. Tão carente qu...