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Pisei no impróprio?

Estranho? Por que estranho? Louca por que? O por quê de ser louca? Julie, tu pensa demais!! Eu desci do carro e pisei no coco, na merda literalmente. Era marrom clara, era merda de cachorro, e dos grandes. Fedia muito. Melei toda a sandália de strass. Me perguntei: e agora? Jogar fora a sandália, ou tentar limpa-la com lenço? Naqueles segundos que antecederam minha decisão - um murmúrio negro - Vou experenciar algo considerado pelos 'normais' - LOUCO - Tirei delicadamente a sandália. Pisei diretamente com meus pés. Usei os dois. A umidade de um paraíso. Precisei saber exatamente isto: estou sentindo o que estou sentindo, ou estou sentindo o que eu queria sentir? Estava ali, bem melimetrado para que eu pisasse. Pois a diferença de um milimetro é enorme, é este espaço de um milimetro pode me salvar pela verdade ou de novo me fazer perder tudo o que via. É perigoso -disse meu marido. O que seria tão perigoso como excretar o que se sente? O inferno pelo qual eu passara -como te diz...

Eu matei a vida!

Estou desde as 03:00 da manha acordada. Me fez mal demais... Fui ao médico porque entrei em choque. Mas, lembro-me das palavras de amigos. Aquilo que ouvira não me consolava. Hesitei em compreender, olhava surpreendida. Foi aos poucos que compreendi o que se sucedera: eu nem havia dado a marcha-à ré, soltei a porra do carro, e silenciosamente, foi esmagando e que ainda deixara o vivo. Eu não podia mais avançar, tão pouco retroceder. Mas, ainda estava ali, vivo. E olhando para mim. Desviei violentamente meus olhos em repulsa própria. Emergia de um mundo desconhecido ate então. Ainda faltava então o golpe final. Um golpe a mais? Eu não olhava, mas me repetia que um golpe ainda me era necessário. Eu repetia como que cada repetição tivesse por finalidade dar uma ordem de comando às batidas do meu coração. E eram espaçadas demais como uma dor da qual eu não sentisse o sofrimento. Ate que - conseguindo me ouvir, enfim conseguindo me comandar - ergui a mão bem alto e como se meu corpo tod...

"eu" aspas a esquerda e direita de mim.

Eu uso salto, eu remo, vou a show de rock, trabalho, choro, sinto raiva, xingo no transito (com os vidros fechados), falo muita besteira, tenho tesão e tédio. Mas vê, meu amor, a verdade não pode ser má. A verdade é o que é - exatamente por ser imutavelmente o que é, ela tem de ser a nossa grande segurança. É meu ato de consumição própria. Mas, ainda sou aquilo que em mim não é - Sou aquilo que sou com você. Por você, somente por você. E me nego ao próprio neutro sendo aquilo que não sou em mim. E eis que a mão que eu segurava me abandonou - prazer. Eu é que larguei a mão, pois tenho de ir sozinha. Piedade: é ser filho de alguém ou de alguma coisa. Nos comemos em riso de dor - e livres. Ah, meu desejo seria o de interromper tudo isto e inserir neste difícil relato, por pura diversão e repouso. Uma historia ótima que ouvi outro dia sobre o motivo que um casal se separou. Ah, conheço tantas historias interessantes. E também poderia para descansar, falar de tragédia.Conheço tragédias. As...

Ins-piração religiosa.

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Se minha vida se transforma em ela-mesma, o que hoje chamo de sensibilidade não existirá. Será chamado de indiferença. É como se daqui a milhares de anos finalmente nós não formos mais o que sentimos e pensamos: teremos o que mais se assemelha a uma atitude do que a uma ideia. Desconhecendo palavras, ultrapassando o pensar que é sempre grostesco . Não é um estado de felicidade. É um estado de contato . Tenho avidez pelo mundo, tenho desejos fortes e definidos, hoje estarei batizando uma criança, na igreja de São Sebastião , não usarei o vestido azul, que antes havia planejado , usarei o preto e branco, dançarei e comerei. Mas, ao mesmo tempo, não preciso de nada, e aquela pureza toda da igreja já começa a me incomodar. Estou de modo que prescinde de tudo - e também de amor, da natureza, de objetos . Prescinde de mim esse modo. Embora quanto aos meus desejos, a minhas paixões , o eu contato com uma árvore , eles continuam sendo para mim como uma boca comendo. E para meu espant...

MORAL DA MINHA HISTÓRIA

Quem conhece um pouco de mim, sabe que a três anos passei por uma cirurgia complexa e imprevisível . Estou aqui, viva e cultivando as coisas simples que amo. Por questões politicas, consegui em apenas 2 dias estar no melhor (pelo menos à mim, é o melhor) hospital de referencia em reabilitação do país. O Sarah Kubischeck em Brasília . Fiquei internada por 15 dias entre internação e recuperação . Foi um milagre para a medicina eu ter recuperado todo o problema nesse espaço de tempo. Tive grandes admirações por parte da equipe medica e, hoje, faço parte de um grupo pequeno de pessoas no mundo, que tiveram tamanha recuperação e, sem sequelas ou traumas. Estaremos indo em Outubro à Boston, à Conferencia Mundial de Saúde. Seremos apresentados a uma comissão , e nossos casos, expostos para estudos posteriores e pesquisas. Isso não é demais??? Bem, à vista de muitos sim. Para mim, não vejo muita honras, não gosto desse fardo de honras, não vejo meu caso como algo fenomenal, ad...

Uma estrela, uma flor, um aprendizado.

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O Pequeno Príncipe sentou-se numa pedra e ergueu os olhos para o céu: - As estrelas são todas iluminadas...Será que elas brilham para cada um que possa um dia encontrar a sua? Olha o meu planeta. Está bem em cima de nós...Mas como ele está longe! - Teu planeta é belo - disse a serpente. - Que vens fazer aqui? -Tenho problemas com uma flor - disse o Príncipe. -Ah! -Exclamou a serpente. E se calaram. - Onde estão os homens? -Tornou a perguntar o Principezinho. - A gente se sente um pouco só no deserto. - Entre os homens a gente se sente também um pouco só - disse a serpente. O Príncipe a olhou-a por um longo tempo. - Tu és um bichinho engraçado - disse ele. - Fino como um dedo... -Mas sou mais poderosa do que o dedo de um rei -disse a serpente. O Príncipe sorriu. - Tu não és tão poderosa assim... Não tens nem patas...não podes sequer viajar... - Eu posso te levar mais longe que um navio - disse a serpente. Ela enrolou-se no tornozelo do pequeno Príncipe, como se fosse um bracelete de ...

Tempo Humano

Agora. Agorinha, estava postando um depoimento para a Beth Show ! Lamentos... E me surgiu a ideia, talvez a resposta para mim mesma. Do Por quê, de tantas diferenças familiares. Descobri que me viciei no estilo de Vicent van Gogh, ainda na infância . Na era do Pós-impressionismo. Os Pintores Pós impressionista, pintavam alem do que viam, eles pintavam o que sentiam, libertando, assim, suas emoções . Agora me entendi, porque sou tão tola diante daqueles que não vêem alem do que seus olhos enxergam. Van Gogh escreveu: " Eu não quero pintar quadros, quero pintar a vida... Estou tão feliz por uma descoberta que está em mim... Eu não quero escrever algo, eu quero escrever a minha vida!